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Câmara de Cambé aprova projeto proibindo uso de “fracking” em Cambé

por elis — publicado 16/11/2016 15h22, última modificação 16/11/2016 15h22
A Câmara Municipal de Cambé aprovou em segunda votação, na sessão realizada na segunda-feira (14), um projeto de lei, apresentado pelo vereador Cecílio Araújo, que proíbe qualquer tipo de exploração do subsolo do Município, através do método “fracking”. O projeto segue agora para sanção do prefeito.

“Fracking”, segundo instituições protetoras do meio ambiente, é um processo destrutivo usado para extrair gás da rocha de xisto que se encontra no subsolo. É preciso perfurar um poço profundo e injetar milhões de litros de água misturada a centenas de produtos tóxicos e cancerígenos e toneladas de areia a uma pressão alta o suficiente para fraturar a rocha e liberar o gás metano.

Já está comprovado que o método contamina a água que serviria para o consumo humano, indústria e agricultura e também os lençóis freáticos com centenas de produtos químicos utilizados no processo. Além dos impactos ambientais, econômicos e sociais, o “fracking” também está associado a terremotos e também contribuiu para as mudanças climáticas.

O assunto ganhou importância em Cambé, após uma pesquisa realizada no último mês de julho, encomendada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), junto à empresa Global Serviços Geofísicos em 177 municípios paranaenses. Naquele mês, vários caminhões carregados com equipamentos, pesando cerca de 30 toneladas cada, passaram pela região do Caramuru, sem qualquer permissão dos proprietários.

A justificativa da ANP para a execução dos trabalhos de pesquisa foi feita de forma genérica, sem a definição clara de seus objetivos. Segundo as informações prestadas na época, “essa pesquisa sísmica utiliza caminhões vibradores que, durante a vibração, emitem ondas sonoras para o subsolo. Essas ondas viajam através das camadas de rocha em subsuperfície e são refletidas para a superfície, o que é registrado, através de imagens, por equipamentos especiais denominados geofones”, concluindo que “com essas imagens, se torna possível identificar as camadas de rochas que ocorrem na subsuperfície e também fazer uma avaliação inicial se sua configuração é ou não adequada para a geração e acumulação de petróleo ou gás natural”, sem definir claramente o qual era o principal foco da pesquisa.

Na verdade, o objetivo principal da pesquisa era para que a empresa obtivesse dados sobre a quantidade de gás de xisto que poderia ser extraído na região que abrange 177 municípios do Paraná e São Paulo, para cálculos de valor mínimo para abrir processo licitatório destinado à empresas que se interessassem a participar de um leilão. Nossa região faz parte do lote 13 definido pela ANP.

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