Câmara discute criação de carteira para pessoas com fibromialgia
Audiência pública debateu projeto que garante acesso facilitado a direitos e institui data de conscientização no município
A Câmara Municipal de Cambé realizou, na tarde de terça-feira (5), uma audiência pública para debater o projeto de lei nº 01/2026, que propõe a criação da Carteira de Identificação da Pessoa com Fibromialgia (CIPF), chamada de “Fibrocidadania”, e institui no município o Dia Municipal de Conscientização sobre a fibromialgia, a ser celebrado anualmente em 12 de maio.
O encontro reuniu vereadores, autoridades municipais, especialistas e a comunidade, com o objetivo de ampliar o debate, ouvir diferentes perspectivas e contribuir para o aprimoramento da proposta. O projeto é de autoria dos vereadores Ellen Affonso (União), Odair Paviani (PL), André do Carmo (PL) e Patrícia da Farmácia (PL). O vereador Pi da Terraplanagem (MDB) também participou da audiência.
Durante a abertura, o presidente da Câmara, Odair Paviani, destacou o alcance social da iniciativa. “Uma proposta voltada para a dignidade e qualidade de vida das pessoas que convivem com essa condição crônica, muitas vezes invisível, mas impactante. O projeto busca facilitar o acesso aos direitos previstos em lei, como atendimento prioritário e políticas públicas específicas, além de ampliar o debate e a conscientização da sociedade sobre o tema”, afirmou.
A vereadora Ellen Affonso ressaltou a importância da discussão com a sociedade. “A intenção da audiência pública é tratar um tema de relevância e que precisa ser debatido com a comunidade. Este projeto ainda institui o dia oficial da fibromialgia, o que também demanda de audiência pública. A carteira da fibromialgia vem para agregar e facilitar o acesso aos serviços públicos”, explicou.
Para o vereador André do Carmo, a proposta representa um avanço prático na garantia de direitos. “É uma forma simples, mas extremamente importante para reconhecer a condição das pessoas com fibromialgia em Cambé. Com essa carteira, o cidadão passa a ter direito a serviços básicos, como vagas preferenciais e acesso facilitado a programas sociais”, destacou.
Já a vereadora Patrícia da Farmácia chamou atenção para os impactos da doença na vida dos pacientes. “A pessoa com fibromialgia tem muita sensibilidade à dor e pesquisas mostram que a dor é uma das maiores causas que incapacitam no mundo, porque traz ansiedade e depressão junto. Entender a fibromialgia ajuda a melhorar a qualidade de vida do paciente e da família”, pontuou.
PREPARAÇÃO E DIREITOS
A secretária municipal de Saúde, Talita Maria Bengozi, afirmou que o município já se prepara para a implementação da medida. “Nossa secretaria se coloca à disposição e, tão breve o projeto seja aprovado e sancionado pelo prefeito, conseguiremos de forma rápida emitir a carteira. Nos organizamos em um formato fácil, em que as pessoas consigam ter acesso pelo site da prefeitura”, disse.

A secretária de Assistência Social e Cidadania, Flávia Iwakura, destacou o impacto social da condição. “É um quadro que leva as pessoas ao isolamento, o sofrimento emocional é muito grande. O fato de ter uma identificação cuidadosa e que traga celeridade no atendimento e acolhimento tira a pessoa do lugar de isolamento”, afirmou.
O advogado e juiz leigo Marcus Vinicius de Freitas Zômpero abordou os direitos já garantidos às pessoas com fibromialgia. “A pessoa com fibromialgia tem vários direitos trabalhistas, como a possibilidade de adaptação do ambiente de trabalho, redução de carga horária, mediante acordo ou laudo médico, e intervalos mais frequentes para descanso”, explicou.
“CAMINHO ÁRDUO”
A audiência também contou com o depoimento da paciente Rafaela Borrero Rossi, que compartilhou sua experiência com a doença. “Minha trajetória começou em 2012 e tive um início de diagnóstico na metade de 2014, e foi uma saga, com vários exames, especialistas, dias de luta. Um caminho árduo até ter um diagnóstico e, mesmo depois dele, é difícil, porque a pessoa não acredita e não tem como provar aquilo que sente e passa. Tenho momentos que, para virar na cama, tenho que acordar meu marido para me movimentar”, relatou.
Durante a audiência, diversas pessoas puderam fazer observações e tirar dúvidas. O projeto deverá ser votado em dois turnos nas próximas semanas.
O QUE É A DOENÇA
A fibromialgia é uma condição crônica caracterizada por dor generalizada no corpo, acompanhada de cansaço, sensibilidade à dor, distúrbios do sono e, muitas vezes, ansiedade ou depressão.







