Na Câmara, Conselho de Igualdade Racial apresenta dados e propostas para fortalecer ações
Presidente do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial, Elisangela da Silva. Autoria: Pedro Marconi
Quase 40% da população da cidade é parda ou negra, de acordo com o último censo divulgado pelo IBGE
A sessão desta semana também foi espaço para refletir sobre a importância de reforçar as políticas públicas voltadas para a população negra cambeense. A presidente do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial, Elisangela da Silva, esteve na Câmara e trouxe números, informações e observações, iniciando pela escolha de 20 de novembro para celebrar o Dia da Consciência Negra e não 13 de maio, data da abolição da escravidão concedida pela princesa Isabel.
“O movimento negro não legitima essa concessão, pelo fato de essa lei ter sido criada sem consideração aos escravos que estavam sendo libertados. A Lei Áurea trouxe a abolição, mas não previu nenhuma regulamentação dos escravos que estavam sendo liberados. Já 20 de novembro nos remete a Zumbi dos Palmares, quando foi assassinado pelas forças portuguesas. O quilombo dos Palmares teve quase um século de resistência aos ataques coloniais”, explicou.
Segundo o Censo 2022 do IBGE, 35.430 moradores da cidade se declaram pardos e 6.730 pretos, o que corresponde a 39,33% dos habitantes. Deste público, 14.496 pessoas estão em vulnerabilidade social, inscritas no CadÚnico. Elisangela da Silva afirmou que os dados mostram que, no Brasil, 58% das pessoas negras recebem menos que brancos, mesmo ocupando a mesma função, e que 68% das pessoas em situação de rua são negras.
A conselheira ainda frisou que Cambé tem o selo bronze do projeto Município Antirracista, do Ministério Público do Paraná, por dispor de um conselho, um Plano Municipal de Promoção de Igualdade Racial, um fundo municipal e cotas raciais no serviço público. Ela frisou que a cidade pode avançar, sugerindo propostas para garantir o selo ouro, como Programa Municipal de Educação Antirracista e Ouvidoria Municipal de Combate ao Racismo.
"Que legado queremos deixar? Podemos ignorar a população negra ou podemos agir, juntos. Sonho com uma Cambé em que crianças negras não tenham medo de sua cor, em que jovens negros não sejam vistos como ameaças, mas como potencial", enalteceu Silvana.
Os vereadores agradeceram a participação dos representantes do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial e todos os apontamentos. “Realmente trouxe para nós o que ainda precisamos caminhar. Sabemos que há muito a fazer. A Câmara está sempre à disposição para construir políticas públicas juntos”, comentou o presidente da Casa, Odair Paviani (MDB).
“Tenho certeza de que nós, além de aprender com o pessoal do conselho, passamos a ter mais consciência de que problemas acontecem e que precisamos avançar”, frisou o vereador Dr. Fernando Lima (União). “Sou filha de mulher negra, sei da discriminação que acontece. Temos uma sociedade que se diz não racista, mas que na verdade precisa evoluir”, ressaltou a vereadora Viviani Vallarini (PSD).
O vereador Pi da Terraplanagem (MDB) disse que Cambé vai receber R$ 70 mil por meio da secretaria de Estado da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa.







