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Nilson Vereador: A longa trajetória de muitas lutas do interior da Bahia até chegar em Cambé

por Edinelson Alves publicado 19/07/2019 12h05, última modificação 19/07/2019 12h25

O sonho do baiano Nilson era ser jogador de futebol, mas a habilidade com a bola e a força de vontade não foram suficientes para alcançar o profissionalismo. Ele até foi aprovado nas peneiras (testes) de alguns clubes, mas não conseguiu driblar o seu marcador mais implacável: a fome. A desnutrição prejudicou muito sua infância e juventude. “A merenda da escola era fraca, ralinha, diferente dessa fartura que é servida aqui”, compara. Seu desempenho escolar foi marcado por repetências. Ele foi reprovado uma vez na 3ª série, duas vezes no 5º ano e três vezes na 7ª série – “período que eu mais passei necessidades” – faz questão de registrar. Nilson só conseguiu concluir a 8ª série já adulto aqui em Cambé.

Nascido em 1971 em Alagoinhas, distante 124 quilômetros da capital Salvador, Nilson Ribeiro dos Santos teve mais de 30 irmãos, somando os filhos de sua mãe, Alice, e muitos outros de seu pai, José, com outras mulheres. Muitos morreram na infância. Ele estima que somente uns 15 ainda estão vivos e calcula que veio a ser o 25º filho dessa grande família. “Nunca tive uma infância normal. Minha vida de trabalho começou aos 7 anos vendendo plantas e flores nas feiras, geladinho, sonhos e pastéis, e depois fui empacotador de mercado. Sempre carreguei muito peso na cabeça. A prioridade naquela época era lutar para sobreviver. Todo dinheirinho eu levava para casa para ajudar a alimentar os outros irmãos menores. Se tivesse essas leis de proteção à infância de hoje os pais seriam presos de tanto que as crianças trabalhavam”.

O sonho de Nilson em se tornar jogador de futebol não se concretizou, mas foi defendendo o Vasco de Alagoinhas que ele conheceu a família que provocou a grande virada em sua vida. “Eu era muito carente em todos os sentidos, e o seo Adriano, a dona Tânia e seus filhos Luiz Augusto (Bodão), Francisco de Assis e a Janaína me adotaram como se eu fosse da família. Em 1990 o seo Adriano recebeu uma boa proposta de trabalho e veio com a família para Cambé. Mesmo distante nossa ligação continuou, tanto que em 1993 eles também me trouxeram para Cambé. Só Deus sabe o tamanho da gratidão que eu tenho por essa família. Tenho a alegria e satisfação de ser amigo deles até hoje”.

 

Despedida da mãe e a chegada ao Paraná

 

Quando recebeu o convite para se mudar para Cambé, em 1993, Nilson não pensou duas vezes. A parte triste foi deixar a mãe para trás. E eles tiveram naquela ocasião o seguinte diálogo:

- Mãe, estou indo para o paraíso.

- Não fale assim meu filho, bate na boca. Muitos já partiram e tiveram que voltar.

- Eu não volto morar aqui nunca mais. Só voltarei para visitar a senhora. 

Para Nilson, a mudança para Cambé significou a entrada no paraíso. “Não dá para comparar a realidade de Alagoinhas com a de Cambé. Lá, tudo era muito difícil.  Faltava emprego, não tinha iluminação, saneamento básico e a infraestrutura era muito precária. Aqui eu vi muita abundância, oportunidades de trabalho, de estudo, acesso à saúde e muitas outras coisas positivas. Foi uma benção de Deus ter chegado aqui. E vejo que nós precisamos valorizar mais a nossa cidade e agradecer por tudo o que ela nos oferece”.

Nos anos de 1993 e 1994 ele morou com a família de seo Adriano e dona Tânia. “Infelizmente o seo Adriano veio a falecer e dona Tânia retornou para a Bahia, mas eu continuei até 97 morando com o Luiz Augusto e o Chico”. Em Cambé, aos 22 anos, Nilson trabalhou como servente pedreiro, depois foi ensacador, numa fábrica de móveis, na Encol (fazia concreto), na Multimetal e há quase 20 anos é metalúrgico vinculado a Pado -  estando cedido desde 2006 para atuar no Sindicato dos Metalúrgicos.   “Minha vida foi sim muito sofrida, mas graças a Deus tenho boa saúde e sempre encarei qualquer trabalho”.

Foi num Rádio Baile Paiquerê, em 1996, que Nilson conheceu a sua esposa Isaura. E foi amor à primeira vista. Eles tiveram dois filhos: Luiz Felipe (Luiz, em homenagem ao amigo Bodão) e Ítalo Felipe que está com 20 anos. Infelizmente, o primogênito faleceu 12 dias após o nascimento devido a problemas cardíacos. Nilson conta que sempre morou na mesma região de Cambé: foram 10 anos no Santo Amaro, 7 anos no Manella e há 8 anos no Jardim São Paulo onde faz questão de dizer que, como Católico, além de frequentar regularmente as missas, participa do Grupo de Oração.

Vereador pelo desafio sindical

Nilson disse que nunca gostou de política partidária, mas depois de uma forte atuação na diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos onde é 1º Secretário, ele foi desafiado a disputar uma cadeira na Câmara de Vereadores. Na eleição de 2004 ele conseguiu 219 votos; em 2008, 674; em 2012, 999; e em 2016 quando foi eleito, Nilson obteve 1.219 votos.  “Minha atuação é diferente. Não sou de muito discurso e falação, mas trabalho diariamente para ser a voz daqueles que não tem voz. Atuo fortemente na comunidade para atender aquelas pessoas que não tem acesso às autoridades. Quase todos os dias falo com o Prefeito José do Carmo e os Secretários cobrando melhorias em nome da população mais humilde. Esse é o meu trabalho”, diz Nilson.

Sobre ser eleito Vereador em Cambé, uma cidade de mais de 110 mil habitantes onde mais de 150 candidatos disputaram uma vaga na Câmara na eleição de 2016, Nilson avalia que essa é mais uma vitória das muitas que conquistou na vida. “A Delamaris (assessora do vice-prefeito Conrado Scheller) pesquisou e disse que o significado do meu nome é campeão. E é assim que eu me sinto, pois Deus já me deu muitas vitórias; uma delas foi trazer a minha mãe para Cambé onde posso dar todo o conforto que ela merece; uma outra foi ter encontrado a Isaura, a mulher dos meus sonhos. Eu só tenho que agradecer a Deus por tudo”, finaliza Nilson da Bahia.

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